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O inventor do spray nos campos de futebol PDF Imprimir E-mail
Escrito por Administrator   
Seg, 31 de Maio de 2010 23:49

Mário Marcos de Souza

Há oito anos, o mineiro Heine Allemagne, 37 anos, teve uma daquelas idéias que marcam para sempre. Genial de tão simples. Ao assistir a um jogo pela TV, ele bolou, projetou e ajudou a construir o spray (na foto, ele mostra o que será usado na Argentina) que facilitou a vida dos árbitros e virou um caso de sucesso junto à torcida. Agora, o spray está sendo lançado também na Argentina – como uma invenção de argentino. Casado, pai de Matheus, 12 anos, e de Thaís, 10, morador de Uberlândia, envolvido em propaganda, Heine falou de sua invenção e garante: ela está devidamente patenteada.

Como você chegou à idéia do spray para marcar as distâncias nos jogos?

Heine Allemagne – Ao assistir a Brasil x Argentina no ano 2000, me chamou atenção quando o Galvão (Bueno, narrador da Globo) disse que ainda queria ver o dia em que um árbitro conseguisse manter a barreira na distância correta. Pensei: ‘deve existir uma maneira’. Um produto barato, biodegradável, que marcasse e sumisse depois de algum tempo, que fizesse uma linha contínua, que fosse branca e colorida (para gramados com neve). Fui então para o banheiro, peguei o tubo de espuma de barbear e marquei a linha no meu braço. Vi que dava certo. Formatei então a idéia.

Sim, mas antes disso foi preciso fabricar o produto. Como foi?

Heine – Depois de pensar na idéia, entrei em contato com uma empresa química de Palmeiras, no Paraná, e eles me convidaram para ir até lá. Fui para o laboratório deles. Bolei, registrei, analisei elementos que poderiam atender a todas as características. Em um mês, chegamos a uma espuma biodegradável que sumia em um tempo máximo de um minuto. Neste ponto, o produto já estava pronto.

Como você chegou ao recipiente?

Heine – Pensei em uma coisa fácil de carregar, como um celular, e de manuseio prático. Deveria ter também um bico que desse o jato de espuma diretamente para baixo, sem o risco de esguichar no rosto do árbitro. É um tubo de alumínio, por questões ambientais.

E qual foi o passo seguinte?

Heine – Fui para o Rio e fiz os testes no campo do Zico. Antes mesmo, já tinha entrado com todos os documentos para a patente, em vários países do mundo. O pedido foi atendido.

E o fato de os argentinos estarem dizendo que inventaram o produto?

Heine – Nem me preocupo. Para um registro de patente ser concedido é preciso atender a três critérios. O primeiro é a novidade. Toda a imprensa divulgou o produto quando eu lancei, inclusive o Clarin, de Buenos Aires. O segundo é ser algo criativo, inventivo ou extraordinário. O spray atende. O terceiro exige que seja um produto possível de ser industrializado. O spray atendeu também. Além disso, juridicamente nossa patente tem sua soberania. Está segura.

Os argentinos não preocupam, então?

Heine – Pelo contrário, encaro a decisão deles muito positiva para o projeto porque o Julio Grondona (presidente da AFA) é do comitê executivo da Fifa. Imagino que depois de o produto ser testado e aprovado pelo futebol de dois países com a força de Brasil e Argentina, a resistência a esta ferramenta vai diminuir. Isso fortalece a imagem do spray.

Por que a Fifa resiste tanto à idéia de implantar o spray no resto do mundo?

Heine – Fiquei surpreso quando conversei com algumas pessoas da Fifa. Elas disseram que o erro é importante no futebol. É uma visão conservadora. Disse a eles então que a barreira não é uma situação de erro, mas de morosidade, que vai contra o próprio fair play que a Fifa tanto valoriza. Tenho pelo menos conseguido a atenção deles.

A invenção já deu lucro?

Heine – Ainda é projeto experimental, que precisa de aprovação da Fifa. Não há lojas vendendo o produto. Depois que a CBF aprovou, passei a ganhar uma ajuda de custo, mas é tudo investido no próprio projeto, em viagens e promoções.

 

http://zerohora.clicrbs.com.br/zerohora/jsp/default.jsp?section=Esportes&newsID=a2331503.xml

Última atualização ( Ter, 01 de Junho de 2010 18:36 )