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Escrito por Administrator   
Qua, 21 de Abril de 2010 20:07
Inventores transformar sonhos em realidade
Inventores se dedicam à criação de projetos originais para facilitar o dia a dia das pessoas

Se engana quem pensa que passar anos desenvolvendo projetos é coisa de maluco. Para ser um inventor é preciso investir pesado em uma boa ideia, saber produzi-la e torná-la útil para ser comercializada no mercado. Os inventores são verdadeiros sonhadores que apostam em suas produções para obter reconhecimento público e retorno financeiro.

O Brasil está repleto de mentes brilhantes, mas ainda está muito longe de ser referência em invenções por falta de incentivo e patrocínio financeiro para a aquisição de patentes e comercialização. Segundo o último levantamento feito pela Organização Mundial da Propriedade Intelectual (OMPI) em 2007, das 156.100 patentes do mundo, o Brasil apresentou apenas 384. Por este motivo, ocupa a 24ª posição no ranking dos países com mais inventores. A liderança ficou com os EUA, que têm 52.280 patentes e detêm 33,5% da fatia mundial. Já no país, o estado mais rico em grandes ideias é São Paulo, seguido por Santa Catarina.

Uma simples ideia pode ser transformada em uma produção rentável no Brasil e também no exterior. Esse foi o caso de Adriano Luiz Carneiro Sabino, de 45 anos. Ele criou há mais de dez anos o famoso espaguete de piscina, usado em academias e clubes. Com o sucesso da produção, ele abriu a própria empresa de brinquedos, a Toy Power. Hoje, o empresário mudou de ramo, mas continua investindo em novas criações. A sua última invenção foi o “Eco Head”, bandana para esportistas produzida a partir de garrafas pet, que controla a temperatura do corpo. “A dica para ser um bom inventor é arriscar. Não podemos pensar apenas no retorno financeiro porque muitas vezes ele demora para chegar”, aconselha ele.

Patente perdida
O engenheiro eletrônico Eugênio da Rocha, de 50, criou há 30 anos uma das primeiras versões do semáforo inteligente, aquele que varia de acordo com o fluxo de carros, pedestres e horário. Apesar de ter desenvolvido a ideia, acabou perdendo a patente para a empresa que trabalhava na época. “Apesar das dificuldades financeiras para tocar um invento, o mais legal é ver a produção funcionar”, conta.

Ao contrário de Eugênio, Roberto Amaral Sendra, de 43, conseguiu patentear a sua criação. Ele inventou o “Boneco Wilson”, que serve para os motoristas ocuparem o banco do passageiro e intimidarem assaltantes. “Em um ano, as vendas do Wilson pagaram a própria produção”, conta ele, que há 15 comanda uma empresa de bonecos infláveis.

“Já desenvolvi várias ideias, mas tive que priorizar e selecionar apenas as que poderiam me dar um retorno financeiro a curto prazo”, analisa Jorge Aparecido Fachinelli, de 36. Ele criou um dispositivo para máquinas de costura que torna o corte mais preciso.

Bruno Cláudio, de 24 anos, criou com sete colegas um vaso sanitário de garrafas pet como conclusão da graduação em engenharia na Fundação Educacional Inaciana (FEI). “Pretendemos patentear a ideia e investir em um estudo mais aprofundado”, diz.

Obtenção de patente é um grande desafio
A trajetória profissional de um bom inventor começa no desenvolvimento de um projeto e na obtenção da patente pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), autarquia do Governo federal que regula a propriedade industrial. O processo para conquista de uma patente tem duração de aproximadamente três anos e requer investimento inicial de R$ 800. No início do processo são analisados a originalidade em âmbito mundial do produto, a novidade dele no mercado (não pode ser óbvio) e a viabilidade industrial. Após a aprovação, o inventor deve bancar uma mensalidade que varia de R$ 100 a R$ 1 mil.

Os requisitos são tão rigorosos, que, segundo dados do INPI, das 111.724 patentes solicitadas em 2009, apenas 57% delas (64.182) foram aceitas. De acordo com Júlio César Moreira, assessor de diretoria de patentes do INPI, a lentidão no processo de obtenção de uma patente se deve principalmente à falta de profissionais qualificados para analisar os pedidos. “Temos setores aqui que não possuem pessoas para trabalhar e analisar os projetos”, conta.

Outro ponto levantado pelo assessor é a falta de parceria entre o governo, a iniciativa privada e as universidades para promover e divulgar boas produções nacionais: “Ainda falta informação a respeito do tema”. A demora, o alto valor do pedido e a dificuldade para a obtenção de patentes faz com que diversas grandes ideias sejam perdidas para empresários nacionais e até mesmo do exterior, deixando muitos inventores decepcionados e na mão.

Para ajudar esses criadores, a Associação Nacional dos Inventores (ANI), em Perdizes, possui um projeto que auxilia os inventores no registro da patente e na negociação com o meio empresarial. A associação também abriga a Inventolândia (Museu dos Inventores), que reúne invenções brasileiras de todos os tipos.

“O que procuramos orientar aos inventores é que qualquer ideia — por mais simples que possa parecer — desde que seja industrializável, pode render muito dinheiro para o inventor”, afirma Carlos Mazzei, presidente da ANI.

Mas, para que esse retorno financeiro chegue ao bolso do inventor, é importante que ele mantenha sigilo durante o desenvolvimento do projeto e entre com o processo de patente o mais rápido possível. “Só divulgue o trabalho após fazer o depósito no INPI, senão há o risco de alguém roubar a ideia e pegar os direitos sobre a produção”, destaca o assessor do INPI.


Por PATRÍCIA BASÍLIO